“Eu ouvi tua oração, eu vi tuas lágrimas”: Uma análise narrativa das orações de Ezequias em Isaías 36-39

O presente artigo examinará as duas petições de Ezequias encontradas em Isaías 37:15-20 e 38:3. Quero propor que essas duas orações servem para caracterizar a ambiguidade de Ezequias como um rei davídico confiante em Deus, embora deficiente em sua confiança. No contexto das profecias do livro de Isaías, o relato narrativo sobre Ezequias (cap. 36-39) ilustra a necessidade e o resultado da fé no Senhor, por meio da apresentação de um exemplo de confiança não duradoura na lealdade divina. Para tal argumento, vou primeiramente propor um análise narrativa de cada uma das duas orações de Ezequias, com foco em como o conteúdo dessas orações caracteriza o rei judaico. Em seguida, explorarei o papel dessas orações no contexto imediato e maior de Isaías como um exemplo da confiança para a qual Israel é convidado. Por fim, explorarei a partir das narrativas de Ezequias algumas reflexões teológicas sobre posturas de diálogo apropriadas para as partes humana e divina envolvidas na oração.

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Cornélio, o gentio temente-a-Deus, e sua piedade sacrificial em Atos 10:1–4

O objetivo desse ensaio é investigar as possíveis influências que Lucas recebeu para a redação de Atos 10:1-4, principalmente no que diz respeito à linguagem sacrificial do Judaísmo do Segundo Templo (JST). Na primeira parte, resumirei o debate acadêmico que diz respeito à existência dos gentios tementes-a-Deus como um entidade própria. A seguir, examinarei como os tementes-a-Deus demonstravam sua simpatia ao judaísmo e como eles “adoravam” a Yahweh. Na última parte, defenderei que a classificação de Cornélio como um gentio temente-a-Deus é melhor compreendida relacionada à linguagem sacrificial aplicada aos seus atos piedosos, ou de misericórdia (esmola e oração), em Atos 10:1–4.

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Levítico 10:1-11: O Erro de Nadabe e Abiú

O que Nadabe e Abiú fizeram para merecer uma morte tão horrível, um juízo tão cruel? Existem muitas outras perguntas sobre esse texto. Por exemplo, por que Misael e Elzafã, primos de Nadabe e Abiú, tiveram que retirar os corpos e não Eleazar e Itamar, os outros dois filhos de Arão (10.4, 6)? Por que Arão e seus filhos vivos não podiam ficar de luto (10.6), nem sair do Tabernáculo, caso contrário morreriam (10.7)? Mais adiante, por que Moisés insistiu que Arão e seus filhos vivos comessem da “oferta pelo pecado” (10.12-18), mas Arão o convenceu de que isso não era apropriado (10.19-20)? Nesta breve apresentação, me concentrarei na primeira pergunta com algumas implicações para algumas das outras perguntas.

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