Levítico 10:1-11: O Erro de Nadabe e Abiú

Não é nenhuma surpresa que Levítico não seja um dos livros bíblicos mais lidos entre cristãos. O leitor atento precisa, literalmente, ter estômago forte para encarar trechos que falam sobre o abatimento de animais, aspersão de sangue, separação de entranhas e feridas purulentas. E ainda, no meio desse conteúdo para maiores de 18 anos, aparece a narrativa da morte fulminante de Nadabe e Abiú. Neste livro com imagens tão fortes e gráficas, tal morte sob juízo divino não poderia ser amena: os irmãos são feridos por fogo que sai da presença de Javé. É por isso que a grande pergunta sobre esse texto é: o que Nadabe e Abiú fizeram para merecer uma morte tão horrível, um juízo tão cruel? Existem muitas outras perguntas sobre esse texto. Por exemplo, por que Misael e Elzafã, primos de Nadabe e Abiú, tiveram que retirar os corpos e não Eleazar e Itamar, os outros dois filhos de Arão (10.4, 6)? Por que Arão e seus filhos vivos não podiam ficar de luto (10.6), nem sair do Tabernáculo, caso contrário morreriam (10.7)? Mais adiante, por que Moisés insistiu que Arão e seus filhos vivos comessem da “oferta pelo pecado” (10.12-18), mas Arão o convenceu de que isso não era apropriado (10.19-20)? Nesta breve apresentação, me concentrarei na primeira pergunta com algumas implicações para algumas das outras perguntas.


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Caio Peres é Master of Divinity, Seminário Teológico Servo de Cristo, São Paulo (2009-2012); Master of Arts em Estudos Bíblicos, Universidade Livre de Amsterdã (2016-2018). Bolsista por Vrije Universiteit Fellowship Program (VUFP) e Holland Scholarship Program (HSP). Colaborador exegético da Bíblia Brasileira de Estudos (BBE, 2016, Editora Hagnos); autor de verbetes na Enciclopédia do Protestantismo (2016, Editora Hagnos); e tradutor de diversos títulos pela Editora Vida Nova. Desde 2006 é missionário integral na área de assistência social para crianças e adolescentes em situação de risco, fazendo parte da Associação Brasileira Beneficente Aslan (ABBA), em São Paulo. Esposo de Dorothee, e pai de Mikael e Ruth.